Vivemos em uma época fascinada pelo avanço. Queremos crescer mais, chegar mais longe, conquistar mais, expandir negócios, acelerar carreiras, realizar projetos e alcançar novos patamares. Mas existe uma pergunta que quase nunca fazemos: A estrutura que temos hoje é capaz de sustentar o lugar para onde queremos ir?
Foi tentando responder a essa pergunta que, anos atrás, comecei a construir o que hoje chamo de Método EAD — Estruturação, Avanço e Desfrute. Quando cheguei à Clínica Santo Antônio, estabeleci uma meta extremamente ousada: levar a empresa a um patamar muito superior em três anos. Eu enxergava um potencial enorme naquele negócio. Mas também sabia que crescimento, sozinho, não seria suficiente. Antes de crescer, seria preciso estruturar. Foi então que desenhei três movimentos.
Estruturação. Avanço. Desfrute.
O primeiro momento seria dedicado à base: organizar processos, corrigir falhas, compreender a operação, estabelecer prioridades e preparar a empresa para aquilo que pretendíamos construir.
Depois viria o avanço.
Com uma estrutura mais preparada, seria possível crescer, ampliar resultados, assumir novos desafios e ocupar novos espaços.
E, por último, o desfrute.
O momento em que aquilo que havia sido construído começaria não apenas a produzir resultados, mas a permitir que esses resultados fossem percebidos, vividos e aproveitados.
O método funcionou.
A Clínica Santo Antônio cresceu, alcançou resultados que um dia pareciam distantes e se transformou profundamente ao longo desse processo. Mas talvez o maior resultado daqueles anos não tenha sido apenas o crescimento da empresa. Foi perceber que a lógica que estava funcionando dentro de um negócio também estava presente em praticamente todas as áreas da vida. Comecei a observar que muitos dos nossos problemas não acontecem porque somos incapazes de avançar. Acontecem porque avançamos além da estrutura que construímos para sustentar esse avanço.
Uma empresa pode aumentar seu faturamento e não ter processos para suportar o crescimento. Uma pessoa pode avançar profissionalmente e não reorganizar sua rotina para comportar as novas responsabilidades. Um relacionamento pode evoluir sem que suas bases amadureçam. Um projeto pode crescer mais rápido do que sua capacidade de gestão. Podemos conquistar mais dinheiro sem construir estrutura para administrá-lo. Podemos chegar exatamente onde queríamos e descobrir que nunca aprendemos a desfrutar daquilo que conquistamos.
Foi aí que o EAD deixou de ser, para mim, apenas uma estratégia empresarial, e começou a se transformar em uma filosofia de sustentação. Porque percebi que existe uma lógica anterior ao crescimento: não basta perguntar até onde você consegue chegar. É preciso perguntar o que precisa existir para que você consiga permanecer quando chegar lá.
Estruturar não significa esperar que tudo esteja perfeito para começar. Significa construir bases compatíveis com aquilo que você deseja sustentar. Avançar não significa crescer a qualquer custo. Significa colocar em movimento aquilo que a estrutura já está preparada para receber — e continuar fortalecendo essa estrutura à medida que o crescimento acontece. E desfrutar não significa parar de crescer. Significa não transformar a vida em uma sucessão infinita de metas nas quais nenhuma chegada é realmente vivida.
Hoje, quando penso no que aconteceu na Clínica Santo Antônio, percebo que ali não nasceu apenas uma estratégia de crescimento. Nasceu uma pergunta que passou a orientar a maneira como enxergo negócios, liderança, projetos e a própria vida: O que você está construindo hoje tem estrutura para sustentar aquilo que você deseja viver amanhã?
Porque chegar é uma conquista.
Permanecer exige sustentação.
E desfrutar talvez seja a parte do sucesso que quase ninguém nos ensinou.
Marília Paula Costa da Silva
Criadora do Método E.A.D.